Seja a mudança que você quer ver no mundo. Não. Esse não é um papo motivacional.

Seja a mudança que você quer ver no mundo

Mahatma Ghandi

Quando Ghandi disse isso ela sabia aquilo que estava dizendo, pois ele o fez na prática.

Não! Este não é mais um artigo sobre motivação, positivismo, prosperidade ou coisa do gênero…não, não e não.

No artigo de hoje vamos falar um pouco sobre psicologia e estudo científico para provar por que Ghandi estava certo quando disse a famosa frase.

Portanto, se você, nestes tempos eleitorais, é um daqueles que deseja a mudança em sua cidade, no seu país, por favor, leia este artigo.

Guarde também a seguinte frase: “pequenas mudanças nas condições iniciais de grandes sistemas, podem levar a mudanças drásticas nos resultados finais.”.

Primeiramente, para ficar mais claro, vamos começar pelo gatilho mental que vai nos ajudar a criar um mundo melhor. O gatilho da Aprovação Social.

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Aprovação Social

Segundo o princípio da aprovação social, decidimos o que é correto descobrindo o que outras pessoas acham que é correto.

Este princípio nunca esteve tão vivo e visível nos dias de hoje onde movimentos e mais movimentos surgem através das redes sociais.

Um post curtido por 100, recebe a concordância de 1000. Uma mensagem compartilhada, ainda que fake, é aceita como verdade por todos.

Isto por que o post ou a mensagem geralmente chega até a pessoa através de outras pessoas, geralmente familiares a ele, o que reforça ainda mais a aprovação daquele conteúdo.

No entanto, não se preocupe, não vamos aqui falar mal de você se és daqueles que vai com a maré.

Na verdade a “maria vai com as outras” somos todos nós.

Consideramos um comportamento adequado em dada situação na medida em que o vemos ser seguido pelos outros.

Estudos constataram que quanto mais pessoas acham uma ideia correta, mais um indivíduo irá considerá-la correta.

A tendência a considerar apropriada uma ação quando realizada pelos outros normalmente funciona bem.

De maneira geral, cometeremos menos erros agindo de acordo com as evidências sociais do que contra elas.

Isto posto, vamos entender melhor como funciona essa tal aprovação social.

O riso enlatado

Eu aqui no meu velho e querido banco, vocês em todo Brasil, por quê? 

Marcelo de Nóbrega

“Eu aqui no meu velho e querido banco, vocês em todo Brasil, por quê?”

Marcelo de Nóbrega

Se você já viu a Praça é nossa, sabe o que é riso enlatado. 

Se nunca viu, tudo bem, pois você com certeza já viu Chaves (alguém na Terra nunca?), portanto, já presenciou o riso enlatado.

O riso enlatado é aquele riso de fundo falso e óbvio que costuma aparecer nos programas humorísticos.

Muitos não gostam dessa risada de fundo, afirmam que os produtores estão querendo determinar quando há graça.

Pois é. É exatamente isso que eles fazem mesmo.

Não por que eles são seres maléficos que desejam a sua alma, mas sim por que eles conhecem as pesquisas.

Robert R. Provine, em pesquisa divulgada em seu livro Laughter: A Scientific Investigation, descobriu o que os produtores já sabiam.

Conforme seus experimentos, a alegria enlatada faz o público rir por mais tempo e mais vezes durante a apresentação de material humorístico, fazendo com que o achem mais engraçado.

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A “alegria enlatada” funciona tão bem graças ao princípio da aprovação social. Mesmo sendo óbvias e falsas elas nos dão a sensação de aprovação, de que mais pessoas acham aquilo engraçado, logo, também  achamos.

Surpreendentemente, o gatilho da aprovação social não para por aí…

Como uma rede de hotéis aumentou a reutilização de toalhas

Uma rede de hotéis conseguiu aumentar o reuso de toalhas usando este gatilho.

Em uma primeira tentativa, o hotel deixou um bilhete, aos seus clientes, dizendo que o reuso era importante para o meio ambiente, mas a ação não teve tanto impacto entre os eles.

No entanto, o hotel descobriu que 75% dos hóspedes que permaneciam por pelo menos 4 dias, reutilizam toalhas em algum momento.

Posteriormente, o hotel solicitou o reuso mais uma vez, porém, com a seguinte mensagem: “75% de nossos clientes reutilizam toalhas, faça como eles!”.

Desse modo o reuso de toalhas cresceu em 26%.

Barmans e músicos de rua também sabem utilizar muito bem a aprovação social.

Ao iniciar os trabalhos do dia, muitos deles, já colocam algumas notas de dinheiro em suas caixinhas para dar a entender que foram deixadas por clientes ou pedestres e assim, dar a impressão que esse é um comportamento adequado.

Não só barmans, como também proprietários de casas noturnas costumam atrasar a entrada da galera afim de que se forme uma longa fila do lado de fora, dando a entender que seu estabelecimento “bomba”.

Infelizmente não constatamos a aprovação social somente no comércio.

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Da política ao suicídio

Particularmente sou totalmente contra as pesquisas eleitorais justamente por saber da aprovação social.

Já comprovei diversas vezes, com pessoas próximas, o voto no candidato que está ganhando ou não voto em outro candidato por achar que este não tem a menor chance.

No entanto, o pensamento é compreensível. Se eu não sei em quem votar, e a maioria está indo no candidato A, ele deve ser bom.

Eu gosto do candidato B, mas ele não tem a menor chance de ganhar, então, vou dar um voto “útil”.

Desta forma a mídia e partidos conseguem manipular o seu voto sem muito esforço.

Por exemplo, reparem, quando um candidato desponta numa pesquisa, logo, em suas campanhas ele começa a destacar o feito.

A mensagem que eles querem passar é “Mais pessoas estão votando em mim, faça como eles!”.

Este tipo de abordagem dá muito certo, não por que somos todos tolos, mas por que eles sabem as armas para disparar os gatilhos corretos em nossas mentes.

Pense bem, é vantajoso para os eleitores. Evitamos o esforço a todo custo e se o candidato me dá o argumento que tem muitos fazendo, logo, me poupa o esforço de pensar, já que provavelmente outros tantos já pensaram e estão optando pelo voto nele.

É compreensível pensar assim, porém, as consequências podem ser catastróficas.

Por este motivo, defendo o fim das pesquisas e do uso de qualquer outro gatilho mental que possa influenciar sua escolha.

O voto deve ser decidido por análises e mais análises, assim como um empresário escolhe um gerente.

O gatilho da aprovação social é tão sério que pode até levar ao suicídio.

O efeito Werther

O ano é 1774 e o evento, o lançamento de um romance intitulado “Die Leiden des jungen Werthers” ou “Os Sofrimentos do Jovem Werther”.

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Surpreendentemente após a publicação do livro começam a surgir relatos de jovens rapazes tirando a própria vida com uma pistola.

E o que isso tem a ver? Tem a ver que no livro (alerta de spoilers) Werther atira em si próprio com uma pistola depois de ser rejeitado pela mulher que amava.

Deste modo, nasce o “efeito Werther”, que refere-se a um pico de suicídios copiados após a ampla divulgação do suicídio “original”.

Posteriormente, David Philip demonstrou em 1974, um aumento relevante na taxa de suicídios de determinadas regiões.

Assim que a notícia de um suicídio tomava conta das manchetes dos jornais nestas regiões, as taxas de suicídio subiam.

Percebem como a aprovação social é uma arma perigosa e que deve ser usada com muito cuidado?

Contudo, sabemos bem que uma faca pode ser tanto usada por um assassino para matar quanto por um cozinheiro para preparar um delicioso prato. Deste mesmo modo é a aprovação social.

Compartilhe o bem

Se a divulgação de um suicídio leva mais pessoas a se suicidarem, que tal tentarmos o contrário?

Se cada vez mais compartilharmos boas ações, pelo princípio da aprovação social, mais pessoas tendem a imitar.

Em princípio, saber que muitas pessoas fazem doações, não jogam lixo na rua, economizam água, adotam crianças, entre outras boas ações, causará um estímulo nas demais pessoas.

Acredite, a aprovação social tem o poder de mudar comportamentos para o bem.

Pesquisa realizada pelo psicólogo Robert O’Connor (1972) conseguiu converter crianças tímidas e retraídas em crianças que interagiam normalmente com seus colegas e muitas até lideravam em atividades sociais.

O’Connor simplesmente exibiu um filme de 23 minutos onde uma criança solitária observava alguma atividade social e depois participava ativamente da brincadeira, para a alegria de todos.

Um filme de 23 minutos foi o suficiente para mudar o comportamento daquelas crianças.

Portanto, para aumentar o bem, mostre a todos que fazer o bem é bom e que tá todo mundo fazendo.

Seja a mudança que você quer ver no mundo

Antes de apoiar direita ou esquerda, muito antes de apontar as qualidades e defeitos do próximo, seja você a mudança que deseja ver.

Não apenas seja, mas mostre, compartilhe, divulgue para todos que você antes de mais nada é a mudança que você quer ver no mundo.

Você é contra a violência? Não seja violento, mostre que você não é violento e contagie com as suas atitudes as pessoas ao seu redor.

Gostaria de um mundo mais limpo? Comece limpando o seu quarto, a sua casa, a sua calçada e deixe que todos presenciem isto. Guarde o seu lixo em uma bolsa e deixe que todos vejam.

Deseja que o seu filho ou filha faça o bem? Permita que ele assista você fazendo o bem a todo momento. Quer que ele estude, leia? Faça isso perto dele, várias vezes e mostre que outras pessoas também o fazem.

Por fim, seja a mudança você primeiro e deixe que todos a vejam em você. A aprovação social cuidará do resto. 😉

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Alexander Lima Administrator
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